No início desta semana ocorreu a publicação da Portaria 559 (clique aqui para acessar) que autoriza oficialmente o concurso da Polícia Federal. Desta vez não vou escrever sobre “boatos” da banca escolhida ou lançamento do edital, pois isso já deu muita “fofocada” no meio concurseiro e a intenção não é essa! Quem realmente está preparado não precisa ficar muito preocupado com esses detalhes. Fiquei preocupado sim com relatos de um aumento significativo de uso por concursandos do medicamento chamado “Ritalina”. Ainda mais agora nesta reta final do esperado concurso da PF. Por isso resgatei dos arquivos da Saga um excelente texto sobre o tema. Para ler e refletir!
RITALINA, A RAINHA DOS CONCURSOS
SOSSEGA LEÃO PARA MENTES INQUIETAS?
Por Américo Canhoto
Dias destes fiquei muito preocupado, pois não fazia idéia da dimensão desse problema; confesso que minha preocupação com o uso de medicamentos do tipo, estava relacionada ás crianças com DDHA – mas, recebi um jovem paciente estudante de engenharia que indagado sobre o motivo da consulta foi direto ao assunto: está difícil estudar; não consigo me concentrar mais; minha memória está zerando, já tomei ritalina e me senti bem; a maioria dos meus amigos toma para estudar e prestar concursos – Apenas eu vim até aqui de tanto minha mãe falar em efeitos colaterais – eles não me importam; só quero acabar a faculdade. Se tiver algum remedinho homeopático que substitua eu topo; vou fazer uma experiência; caso contrário; eu volto a usar a ritalina.
Onde eu compro? – Receita? – Tenho um amigo que se consulta com um médico que dá quantas quiser; ele é fã da ritalina – Mas, também no balcão da farmácia e pela Net você consegue fácil.
Resumindo a consulta, conversamos muito expliquei a ele que no seu caso em parte a TDHA é um dos subprodutos do estilo de viver acelerado, um dos efeitos do estresse crônico, reversível. Mostrei que as razões para a perda de memória, capacidade de concentração, dores pelo corpo, impulsividade, agressividade, altos e baixos no comportamento..., diminuem com algumas mudanças simples na forma de viver. Confesso que não fiquei muito animado com a perspectiva de tê-lo convencido a trabalhar pelo próprio equilíbrio; pois o que o levou a buscar uma opção diferente para a concentração difícil e a perda de memória foi a insistência da mãe e não seu próprio desejo – mas, esperemos pelo retorno.
Fiquei muito cismado com o que me relatou; realmente o mundo para os jovens da atualidade é cada dia mais perigoso; na minha época a extravagância era álcool, abulemim (antigo anorexígeno) cafeina, ginseng..., para varar a noite acordado estudando; mas quem experimentava logo percebia que era pior a emenda do que o soneto, pois o raciocínio ficava lento demais. Claro que alguns usavam coisas mais pesadas: maconha, cocaína, chá de cogumelo, xarope Pambenyl; mas isso só para zoar para estudar não dava certo.
Mas, o que ele deixou escapar durante a conversa: usa com freqüência sertralina para retardar a ejaculação e viagra para manter a ereção. Quando não consegue dormir afana um lorax da sua mãe e pela manhã quando está bodeado toma um estimulante do seu pai – na hora de estudar parte para a ritalina. O lance mais maluco, a ritalina lhe provoca taquicardia e palpitações, então está tomando um remédio receitado pelo cardiologista para poder suportar esse efeito colateral da ritalina. Diz com orgulho que aprendeu a não misturar ritalina com álcool, pois fica muito bobeado.
Alguns a chamam de cocaína da pediatria, mas vamos usar um material que está disponível no google para informar aos leitores alguma coisa a respeito dessa droga.
“O que é e para que serve ? A ritalina é o metilfenidato, um estimulante do grupo dos anfetamínicos. Suas principais indicações são para o tratamento do déficit de atenção com hiperatividade em crianças e depressão no idoso. Existe muito preconceito contra essa medicação, mesmo por parte de médicos. Apesar das substâncias desse grupo serem muitas vezes usadas de forma ilegal por proporcionarem estados alterados de consciência, sua eficácia e segurança médica, quando são usadas corretamente, estão mais do que comprovadas.
Como é usado? A dose usada em crianças a partir de seis anos varia entre 2,5 a 5mg por dia inicialmente, que pode ser elevada ao máximo de 60mg por dia. A dose, de acordo com o peso da criança, é de 2mg / Kg de peso. As doses devem ser dadas preferencialmente pela manhã e na hora do almoço, para não prejudicar o sono. Esta medicação é retirada rapidamente de circulação pelo fígado. Quando a finalidade é melhorar o desempenho acadêmico não haverá necessidade de tomar a medicação nos fins de semana e nas férias. Apesar dessa medicação induzir a dependência nos usuários sem transtorno de hiperatividade, os estudos nessa área mostram que dificilmente uma criança que tenha feito uso prolongado se tornará dependente. Isto é um dado constatado. Os idosos que não toleram os efeitos colaterais dos antidepressivos podem se beneficiar da ritalina. Estudo feito com esta população mostrou ser uma medicação eficaz com risco de dependência praticamente zero.
Considerações importantes: não deve ser usado em pacientes em uso de tranilcipromina ou equivalente, em pacientes com arritmias cardíacas, com a síndrome de Tourette, em pacientes psicóticos, com distúrbios de movimentos e com problemas na produção de células sanguíneas. “É preferível evitar durante o primeiro trimestre da gestação, apesar de nunca ter sido comunicado efeito deletério no feto”.
Neste bate papo, não temos intenção de tomar partido – cada um com suas escolhas e com sua visão de mundo. Claro que para tudo na vida humana há solução; umas mais simples outras mais complexas. Porém gostaríamos de lembrar que na há efeito sem causa e que a vida não perdoa...
Mas, a que ponto nós chegamos:
Ritalina, a droga da hora para estudantes e, a nova rainha dos concursos.
Minha preocupação; não demora e as crianças do ensino fundamental só conseguirão render no estudo com o uso de drogas.
Onde isso vai chegar?
Como confiar no trabalho de profissionais formados dessa forma? – E os FP que usaram ritalina para passar no concurso vão continuar a tomá-la para bem poder exercer suas funções ou o serviço publico vai virar um deus nos acuda?
É preciso que sejamos realistas:
O ritmo da roda vai acelerar mais ainda – adianta “pedir para parar que eu quero descer”? – Como? Entrando em Deprê? Surtando?
O comportamento vai se tornar cada vez mais próximo dos bipolares – Dá licença – está chorando ou rindo?
A agressividade vai ser liberada á toda.
Amém!
*Américo Canhoto é médico e autor dos livros "Saúde ou doença: a escolha é sua", "Quem ama cuida" e "Pequenos descuidos, grandes problemas", publicados pela Petit Editora.
Efeitos da Ritalina divulgados pela "Fundação para um Mundo Livre de Droga":
Efeitos a curto prazo:
Perda de apetite
Aumento do batimento cardíaco, pressão sanguínea e temperatura corporal
Dilatação das Pupilas
Perturbação de sono e sono alterado
Náusea
Comportamento bizarro, errático, às vezes violento
Alucinações, hiperexcitabilidade, irritabilidade
Pânico e psicoses
Doses excessivas podem conduzir a convulsões, espasmos e morte
Efeitos a longo prazo:
Danos irreversíveis dos vasos sanguíneos coronários e cerebrais, elevada pressão sanguínea, conduzindo a ataques cardíacos, derrames cerebrais e morte
Danos no fígado, renais e pulmonares
Destruição dos tecidos nasais se “cheirada”
Problemas respiratórios se fumada
Doenças infecciosas e abcessos se injectada
Má nutrição, perda de peso
Desorientação, apatia, cansaço excessivo e confuso
Forte dependência psicológica
Psicose
Depressão
Danos cerebrais incluindo tromboses e possivelmente epilepsia